Cyberbullying na adolescência: o que é, como proteger seu filho e o que fazer quando acontece

São 23h40 e o celular vibra embaixo do travesseiro. É uma mensagem direta de um perfil chamado @verdades.8b, sem foto, criado há três semanas: "Todo mundo na sala acha você ridículo." Logo depois, chega o print de uma foto que ele postou nas férias, com um comentário debochado. E mais uma: "Amanhã a sala inteira vai saber."
Ele tem 14 anos e está no 8º ano. Bloqueia o perfil. Dois dias depois, aparece @verdades.8b_2, com o mesmo tom e com detalhes que só alguém da turma conhece: onde ele senta, o apelido que ele detesta, a nota da última prova de matemática.
A partir daí, ele passa a olhar para cada colega tentando adivinhar quem é. Na sala, todos agem normalmente. Em casa, diz que está cansado, que não está com fome, que talvez não vá à aula amanhã.
Numa dessas noites, ele vai até a mãe com o celular na mão e diz só: "Olha isso." Mas nem todo adolescente faz esse movimento.
Os números mostram que situações assim fazem parte da vida escolar brasileira. Na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024, feita pelo IBGE com estudantes de 13 a 17 anos, 12,7% disseram ter sofrido bullying nas redes sociais, e 10% disseram ter praticado. Entre as meninas, a proporção de vítimas chegou a 15,2%.
Este texto é para quem está de qualquer um dos lados dessa história: a família de quem recebe as mensagens, a família de quem as envia e a família de quem sabe e fica calado.
O que é cyberbullying?
Cyberbullying é a intimidação repetida e intencional feita por meios digitais, como redes sociais, aplicativos de mensagem e jogos online, para humilhar, ameaçar, excluir ou expor alguém. A Lei 13.185, de 2015, define o cyberbullying como o uso das ferramentas da internet "para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial". Desde 2024, a intimidação sistemática virtual também é crime no Código Penal.
1. Qual é a diferença entre bullying e cyberbullying?
O cyberbullying tem as mesmas três marcas do bullying (intenção de ferir, repetição e desequilíbrio de poder), mas acontece no ambiente digital: pode chegar a qualquer hora, alcançar uma plateia grande, ficar registrado por muito tempo e partir de alguém que se esconde. As duas formas costumam andar juntas.

No ambiente digital, a repetição pode acontecer sem que o autor faça nada: uma única montagem compartilhada vai sendo vista, salva e repassada, e cada novo compartilhamento reabre a ferida. O desequilíbrio de poder nem sempre está na força ou na popularidade. Às vezes está em quem tem o print, quem conhece o segredo, quem domina melhor a ferramenta ou quem consegue se esconder atrás de um perfil falso.
Há ainda características que o bullying não tem:
🌙 não há hora nem lugar seguro: a humilhação entra no quarto, à noite, no fim de semana;
👥 a plateia pode ser grande, e o adolescente nem sempre sabe quem viu;
🗂️ o que foi publicado pode voltar meses depois, num print guardado;
🙈 quem ataca não vê a reação de quem é atacado, e isso tira um freio importante da empatia.
Online e presencial andam juntos
Uma meta-análise (um estudo que reúne e combina os resultados de muitos outros) com 80 pesquisas mostrou que o bullying presencial ainda é cerca de duas vezes mais comum que o virtual, e que as duas formas estão fortemente associadas: quem é alvo numa tende a ser alvo na outra, e quem pratica numa tende a praticar na outra.
O que não é cyberbullying
Uma discussão acalorada no grupo, uma briga entre dois amigos que se ofenderam, uma piada que machucou uma vez: por definição, nada disso é cyberbullying. Ainda assim, merece conversa. No consultório, acompanho casos que começaram assim.
2. Por que o perfil falso e as mensagens anônimas pesam tanto?
Porque o anonimato tira do adolescente a noção de onde está o perigo, e pesquisas mostram que ataques anônimos são percebidos como mais graves. A mensagem direta não tem plateia, mas chega no quarto, à noite, e o adolescente fica sozinho com ela.
Não saber quem é pesa
Pesquisadores suíços apresentaram a adolescentes do 7º e 8º anos diferentes situações de bullying e pediram que eles as ordenassem pela gravidade. Duas características fizeram as situações parecerem mais graves: ser pública e ser anônima. Acontecer online ou presencialmente pesou menos do que essas duas.
Com um agressor sem rosto, pode ser qualquer um, inclusive quem sorri para ele no intervalo. Nas famílias que acompanho, um efeito aparece com frequência nesses casos: o adolescente passa a desconfiar da turma inteira, se afasta de quem não tem nada a ver com a história e perde, de uma vez, vários lugares de pertencimento.
Não ter plateia não significa não ter dano.
O anonimato também facilita atacar
Do outro lado da tela, sentir-se anônimo baixa o freio. Estudos com jovens adultos mostram que acreditar que não será descoberto se associa, meses depois, a atitudes mais favoráveis ao cyberbullying e a mais agressão online.
Criar perfis falsos também acontece nessa idade. Numa pesquisa com mais de 3.600 estudantes italianos de 11 a 20 anos, 8,5% contaram ter criado, nos seis meses anteriores, um perfil fingindo ser outra pessoa. No Brasil, ainda não há dado sobre isso.
3. Quais são os tipos de cyberbullying?
Os tipos mais comuns são exclusão de grupos, humilhação pública, perfis falsos, invasão de conta, montagens e fotos adulteradas, exposição de conversas ou imagens íntimas, ameaças, perseguição, discurso de ódio e ataques em jogos online.
As formas mais comuns incluem:
🚪 Exclusão: o grupo da turma recriado com todo mundo, menos um.
🎭 Humilhação pública: memes, figurinhas feitas com o rosto de alguém, enquetes do tipo "quem é a mais feia da sala".
👤 Perfis falsos e invasão de conta: falar em nome de alguém, ou atacar sem se identificar.
🖼️ Montagens e fotos adulteradas, inclusive com inteligência artificial.
📤 Exposição: prints de conversas privadas, fotos íntimas repassadas sem consentimento.
⚠️ Ameaças e perseguição.
🗯️ Discurso de ódio: ataques por cor, corpo, orientação sexual, deficiência, religião.
🎮 Ataques em jogos online e transmissões ao vivo.
Quando o IBGE perguntou aos estudantes por que foram alvo de bullying, as respostas mais citadas foram a aparência do corpo e do rosto, seguidas de cor ou raça.
Nudes falsos feitos com inteligência artificial
É uma das formas mais recentes e uma das mais graves. Com aplicativos de fácil acesso, uma foto comum de uma colega, tirada da rede social, pode virar uma imagem de nudez que nunca existiu.
No Brasil, um levantamento da SaferNet, organização de defesa dos direitos humanos na internet, identificou casos em escolas de 10 estados. Na atualização de fevereiro de 2026, eram 173 vítimas e 60 autores. Todas as vítimas identificadas eram mulheres, alunas e professoras, e os autores eram, em sua maioria, estudantes adolescentes. O levantamento reúne casos que chegaram ao noticiário, então mostra que o fenômeno existe, mas não o seu tamanho real. Em 2026, o UNICEF estimou, a partir de pesquisas em 11 países, que 1,2 milhão de crianças e adolescentes tiveram imagens suas manipuladas em deepfakes sexuais em um ano.
Para quem é alvo, saber que a imagem é falsa costuma aliviar pouco a vergonha, porque os colegas viram. Para quem cria, a lei não trata isso como brincadeira: desde agosto de 2026, o Estatuto da Criança e do Adolescente diz expressamente que simular a participação de criança ou adolescente em conteúdo de violência sexual, inclusive com inteligência artificial, é crime. A primeira providência, nesses casos, é pedir a remoção imediata, sem salvar, encaminhar ou mostrar a imagem a ninguém, nem para "provar" (veja a seção 9).
4. Quem está envolvido: quem sofre, quem pratica e quem assiste
Em muitos casos de cyberbullying há quatro lugares: quem sofre, quem pratica, quem ocupa os dois ao mesmo tempo e quem assiste. Esses lugares não são fixos, e a autoria é mais comum do que as famílias costumam imaginar: no Brasil, 1 em cada 10 estudantes de 13 a 17 anos diz ter praticado.
Quem é alvo e também ataca, muitas vezes como revide, está nos dois lugares, e esses lugares mudam de um semestre para outro.
Quem pratica também é adolescente
Na pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, 15% dos usuários de internet de 11 a 17 anos disseram ter tratado alguém de forma ofensiva no último ano.
Com números assim, a autoria está longe de ser uma exceção monstruosa. Qualquer família pode precisar considerar essa possibilidade, sem pânico e sem negação.
O que ajuda a entender quem pratica
Pesquisas que reúnem dezenas de estudos apontam fatores que aparecem com frequência entre adolescentes que praticam cyberbullying:
acreditar que agredir é normal no grupo ("todo mundo faz");
desengajamento moral, o conjunto de justificativas que a pessoa usa para não se sentir responsável ("era zoeira", "ele mereceu", "eu só repassei");
uso arriscado da tecnologia, com muita exposição e pouca mediação de adultos;
já ter praticado bullying presencial;
ter sido alvo antes, e revidar.
São associações, e não causas únicas, e nenhuma delas absolve. Mas entender o que sustenta o comportamento ajuda a mudá-lo.
5. Quais são os efeitos do cyberbullying na saúde mental?
Ser alvo de cyberbullying está associado a mais ansiedade, sintomas depressivos, estresse e solidão, e a cerca de duas vezes mais chance de autolesão e de pensamentos suicidas. São associações, e não prova de causa única, mas pedem que o sofrimento do adolescente seja levado a sério.
O que as pesquisas mostram
Uma revisão de 2025, com 56 meta-análises, confirma essas associações. No consultório, também vejo com frequência sono pior, queixas físicas e queda nas notas.
Há ainda um dado que exige cuidado. Uma revisão sistemática com 26 estudos e mais de 150 mil crianças e jovens encontrou que quem sofre cyberbullying tem cerca de duas vezes mais chance de relatar autolesão e pensamentos ou comportamentos suicidas do que quem não sofre. Quem pratica também apresentou risco um pouco maior.
É um dado sério, e precisa ser lido com precisão. Os estudos observam uma associação, não provam que o cyberbullying seja a causa, e a relação pode ir nos dois sentidos: um adolescente que já está sofrendo pode ficar mais exposto a ataques. O cyberbullying raramente é o único fator em jogo. Perguntar ao adolescente como ele está se sentindo não é exagero.
6. Quais são os sinais de que o adolescente está sofrendo cyberbullying?
Os sinais mais comuns são mudança brusca na relação com o celular, vontade de faltar à escola, queixas físicas em dia de aula, alteração do sono e do apetite, isolamento e desconfiança repentina dos colegas. Nenhum sinal prova nada sozinho; o que pede atenção é a mudança, a duração e o prejuízo.

Sinais que pedem uma conversa
📱 mudança brusca com o celular: esconde a tela, se assusta com notificações ou para de usar de uma hora para outra;
🏫 vontade de faltar, dor de barriga ou de cabeça em dia de aula, queda nas notas;
🌙 sono e apetite alterados, irritação, tristeza que não passa;
🚪 isolamento, afastamento de amigos antigos;
🗑️ apagar perfis, pedir para trocar de turma ou de escola;
👀 desconfiança repentina de toda a turma.
Para decidir quando buscar ajuda, observe quanto tempo dura, quão forte é e quanto prejuízo causa. Um dia ruim é esperado; semanas de tristeza tomando o sono, a escola e as amizades pedem avaliação.
Por que ele não conta
A TIC Kids Online Brasil 2024 perguntou a crianças e adolescentes que passaram por situações ofensivas na internet com quem eles falaram. 31% contaram aos pais, 29% aos amigos, 2% aos professores e 13% não contaram a ninguém. E a proporção dos que contam aos pais cai bastante depois dos 12 anos.
Revisões de estudos com adolescentes de vários países ajudam a entender o porquê. Os motivos mais relatados são:
medo de perder o celular ou o acesso à internet;
vergonha;
medo de que o adulto piore a situação, indo à escola ou à família do outro de forma impulsiva;
a sensação de que pedir ajuda aos pais é "coisa de criança".
O primeiro motivo diz muito sobre o que os adultos fazem, com boa intenção, quando descobrem. Se contar significa perder o celular, o silêncio vira a opção mais segura.
7. Como prevenir o cyberbullying em casa?
Nenhuma família consegue impedir todo ataque, mas algumas atitudes reduzem o risco e aumentam a chance de o filho contar quando algo acontecer: conversar sobre a vida digital como rotina, combinar antes da crise que ele não perderá o celular por contar, ensinar a regra do print e falar sobre o papel de quem assiste.

Uma pesquisa clássica com adolescentes suecos mostrou que o que os pais sabem sobre a vida dos filhos vem, principalmente, do que o próprio filho escolhe contar, e bem menos de vigilância.
Uma revisão de 2025 confirma que apoio familiar e mediação dos pais se associam a menos cyberbullying. O efeito existe, e é pequeno. Isso tem duas consequências. A primeira: se aconteceu com seu filho, não quer dizer que você falhou. A segunda: fazer tudo certo não garante que não vai acontecer.
O que ajuda, pelo que as pesquisas e a clínica mostram:
1. Converse sobre a vida digital como parte da rotina, e não como interrogatório. Pergunte sobre o jogo, o grupo, o vídeo que ele viu, com a mesma curiosidade com que pergunta sobre a escola.
2. Faça o combinado antes da crise.
💬 "Se um dia alguém te mandar algo estranho, até de um perfil que você não sabe quem é, pode me mostrar. Você não vai perder o celular por isso."
3. Ensine a regra do print. O que ele manda pode ser guardado e espalhado, mesmo em conversa privada ou em mensagem temporária.
4. Fale do espectador antes de acontecer. Pergunte o que ele faria se visse um colega sendo atacado no grupo (a seção 12 traz falas para isso).
5. Observe o próprio exemplo. Como os adultos da casa falam dos outros no grupo da família, nos comentários, nas indiretas.
6. Use a supervisão como apoio, e não como substituto da conversa. Desde março de 2026, o ECA Digital obriga as plataformas a oferecer ferramentas de supervisão para as famílias e determina que contas de adolescentes de até 16 anos estejam vinculadas a um responsável.
As competências que o adolescente precisa desenvolver para usar a internet com critério estão no artigo Letramento digital: guia para pais ensinarem o filho adolescente a usar a internet com critério.
8. O que fazer se seu filho sofre cyberbullying?
Acolha antes de agir, não tire o celular dele, não responda nem revide, registre as provas antes de bloquear, denuncie o perfil na plataforma, avise a escola por escrito e fique atento aos sinais de sofrimento. Ameaças, imagens íntimas e montagens sexuais pedem ação imediata.

A ordem importa:
1. Acolha antes de agir. A vontade de resolver na hora é grande. Antes, ele precisa saber que fez bem em contar.
💬 "Obrigada por me mostrar. Você não fez nada para merecer isso. A gente vai cuidar disso junto."
2. Não tire o celular dele. Tirar o celular pune quem sofreu, corta o contato com amigos de que ele precisa agora e pode ensinar a esconder da próxima vez. Se for preciso dar um tempo das redes, decidam juntos.
3. Não responda, não revide e não tente descobrir sozinho quem é. Responder costuma alimentar o ataque. E, no caso de perfil falso, acusar o colega errado cria uma segunda vítima e pode abrir uma briga entre famílias.
4. Registre tudo antes de bloquear. O passo a passo está na seção 9.
5. Denuncie o perfil na plataforma, avise a escola e escolha os próximos passos. Os caminhos estão na seção 10.
6. Avalie a gravidade. Ameaça de violência, exposição de imagem íntima, montagem sexual, discurso de ódio ou incentivo a se machucar pedem ação no mesmo dia (veja "Situações que pedem ação imediata", na seção 10).
7. Fique atento à saúde mental. Se os sinais da seção 6 persistirem, procure avaliação. Se ele falar em morrer, em sumir ou em se machucar, busque ajuda no mesmo dia.
8. Ajude a reconstruir o chão. Ele precisa de pelo menos um lugar onde é visto de outro jeito: um esporte, um curso, um amigo de fora da escola, um primo. Lugares assim lembram a ele que aquelas mensagens não dizem quem ele é.
⚠️ O que costuma piorar, mesmo com boa intenção:
❌ Em vez de | ✅ Tente |
"Por que você postou aquela foto?" | "A culpa é de quem escreveu isso, não sua." |
"Ignora, é só um perfil sem foto." | "Isso é sério, e eu vou te ajudar." |
"Amanhã eu vou lá na escola resolver." | "Vamos pensar juntos no que fazer primeiro." |
"Me dá esse celular." | "O celular continua com você. Vamos guardar as provas." |
Postar o caso nas redes para expor o autor | Denunciar pelos canais formais |
9. Como registrar provas de cyberbullying?
Antes de bloquear, faça prints que mostrem a mensagem, o nome do perfil, a data, a hora e o link do perfil; grave a tela rolando a conversa; guarde cópias em dois lugares e anote tudo num diário do caso. Não apague nada. Se houver imagem íntima de adolescente, não salve nem encaminhe a imagem.

A primeira vontade da família costuma ser apagar tudo e fazer aquilo sumir. É uma reação de proteção. Mas, se a família decidir procurar a escola, a plataforma, o Conselho Tutelar ou a Justiça, o que foi apagado não pode mais ser mostrado.
Três cuidados antes de qualquer passo
🗂️ Não apague nada. Nem as mensagens, nem a conversa, nem o perfil do seu filho. Bloquear pode esperar alguns minutos, até que tudo esteja registrado.
🤐 Não responda e não revide, nem o adolescente, nem a família. Uma resposta agressiva pode ser usada contra quem foi atacado.
🚫 Se houver imagem íntima ou montagem sexual de um adolescente, não salve, não encaminhe e não mostre a imagem a ninguém, nem para "provar". Registre o link, o nome do perfil, a data e a hora, descreva o conteúdo por escrito e vá direto aos passos de denúncia da seção 10. Guardar ou repassar esse tipo de imagem pode configurar crime, mesmo com boa intenção.
O que cada print precisa mostrar
Um print sem contexto vale pouco. Para cada mensagem ou publicação, confira se aparecem:
O que registrar | Por quê |
A mensagem ou publicação inteira | Mostra o conteúdo do ataque |
O nome do perfil (o @) | Identifica de onde partiu |
A data e a hora | Mostra a repetição e a sequência |
O link do perfil e, se possível, da publicação | Permite que a plataforma e a Justiça localizem o conteúdo |
Comentários, curtidas e compartilhamentos | Mostram a exposição e quem participou |
Dicas que ajudam
🔗 Copie o link do perfil. Na maioria das redes, basta abrir o perfil, tocar nos três pontinhos e escolher "copiar link" ou "compartilhar perfil". Cole o link numa anotação.
🎥 Grave a tela rolando a conversa, do início ao fim. O vídeo mostra a sequência das mensagens.
🆕 Registre cada perfil novo. Quando o perfil falso reaparece com outro nome (@perfil, @perfil_2), anote todos, com a data em que cada um surgiu.
☁️ Guarde cópias em dois lugares, por exemplo no celular e num e-mail enviado para você mesma ou numa pasta na nuvem.
👀 Anote quem viu. Colegas que receberam o mesmo conteúdo podem confirmar o que aconteceu.
Um diário simples do caso
Casos de cyberbullying podem durar semanas. Um registro organizado ajuda a escola, a delegacia e o advogado a entender a história. Pode ser num caderno ou numa planilha:
Data e hora | Perfil | O que aconteceu | Onde está a prova | Quem viu |
Registre também as providências: o dia em que denunciou na plataforma, o número do protocolo, a data da conversa com a escola.
Quando fazer uma ata notarial
A ata notarial é um documento feito em cartório de notas, em que o tabelião acessa o conteúdo e registra oficialmente o que viu, com data e hora. Ela dá mais força à prova, porque fica difícil contestar que o conteúdo existia daquela forma.
Costuma fazer sentido quando a família pretende levar o caso à Justiça, quando há risco de o conteúdo ser apagado ou quando o caso é grave. É um serviço pago, e o valor varia conforme o estado e a quantidade de páginas. Para a escola e para a plataforma, prints bem feitos costumam bastar.
10. Como denunciar cyberbullying?
Denuncie o perfil e cada conteúdo no próprio aplicativo, guarde o protocolo e avise a escola por escrito. Para orientação, procure o Canal de Ajuda da SaferNet; para denúncias formais, a Central de Denúncias da SaferNet, o Conselho Tutelar, o Disque 100 ou a delegacia, com boletim de ocorrência.
Nem todo caso precisa passar por todos os passos. O que ajuda é escolher o passo proporcional à gravidade, com o adolescente participando da decisão sempre que possível.
Na plataforma
Depois de registrar tudo, denuncie o perfil e cada conteúdo ofensivo pelo próprio aplicativo. Em geral, o caminho é abrir o perfil ou a mensagem, tocar nos três pontinhos, escolher "denunciar" e indicar o motivo mais próximo (perfil falso, assédio, bullying, conteúdo envolvendo menor de idade).
O que a lei garante desde março de 2026:
O ECA Digital obriga as plataformas usadas por crianças e adolescentes a manter um canal de denúncia público e fácil de encontrar.
Quando a vítima ou a família comunica um conteúdo que viola direitos de criança ou adolescente, a plataforma deve retirá-lo sem precisar de ordem judicial.
Para valer, a denúncia precisa identificar o conteúdo com precisão (o link ajuda muito) e identificar quem está denunciando. Nesse caso, denúncia anônima não vale.
Pela decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o Marco Civil da Internet, a plataforma pode ser responsabilizada se não agir diante de contas denunciadas como não autênticas, como os perfis falsos.
📸 Tire print da confirmação da denúncia e anote o número do protocolo, se houver. Se o conteúdo não for removido, isso mostra que a plataforma foi avisada. Depois de denunciar e registrar, pode bloquear.
Na escola, por escrito
Mesmo que as mensagens tenham sido enviadas de casa, a escola tem o dever legal de prevenir e combater a intimidação sistemática, inclusive a virtual (veja a seção 13). Converse pessoalmente, se preferir, mas deixe tudo registrado por escrito, por e-mail ou pela agenda da escola. Um modelo que pode ser adaptado:
Prezada coordenação,
Venho comunicar que meu filho (nome, turma) está recebendo mensagens ofensivas e ameaçadoras de um perfil falso, desde (data). Pelo conteúdo, o autor parece conhecer detalhes da rotina da turma. Anexo os registros.
Peço que a escola adote as medidas de proteção e apuração previstas na Lei 13.185/2015, com cuidado para não expor meu filho diante dos colegas, e que me informe, por escrito, quais providências serão tomadas.
Fico à disposição para conversar.
Guarde a resposta. Se a escola não responder ou disser que não pode fazer nada, esse registro será útil nos passos seguintes.
Orientação e denúncias formais
💬 SaferNet Brasil, Canal de Ajuda: orientação gratuita e sigilosa para adolescentes, famílias e educadores sobre situações vividas na internet.
🚨 SaferNet Brasil, Central de Denúncias: recebe denúncias de crimes na internet, inclusive anônimas, e fornece número de protocolo.
🛡️ Conselho Tutelar: quando há violação de direitos de criança ou adolescente, seja de quem sofre, seja de quem pratica, ou quando a escola não age.
☎️ Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos, 24 horas.
⚖️ Ministério Público ou Defensoria Pública: orientação jurídica e acompanhamento de casos que envolvem direitos de crianças e adolescentes.
Boletim de ocorrência
O boletim de ocorrência é indicado quando há ameaça, perseguição, exposição de imagem íntima, montagem sexual, discurso de ódio, ou quando o ataque continua mesmo depois das denúncias. Muitos estados permitem o registro online, e algumas cidades têm delegacias de crimes cibernéticos ou de proteção à criança e ao adolescente.
O que levar:
📁 os prints e vídeos, organizados em ordem;
📓 o diário do caso;
🔗 os links dos perfis e das publicações;
🧾 os protocolos das denúncias feitas nas plataformas;
✉️ a comunicação com a escola e a resposta dela;
👥 os nomes de quem viu, se houver.
Se quem praticou for adolescente, o caso segue as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente, e não as do processo criminal de adultos (veja a seção 14).
Situações que pedem ação imediata
⚠️ Não espere a resposta da escola se:
houver imagem íntima ou montagem sexual do seu filho: peça remoção imediata à plataforma, acione a Central de Denúncias da SaferNet e registre boletim de ocorrência, sem compartilhar a imagem com ninguém;
houver ameaça de violência física: registre boletim de ocorrência e comunique a escola no mesmo dia;
as mensagens incentivarem seu filho a se machucar, ou ele falar em morrer, em sumir ou em se machucar: busque ajuda de saúde no mesmo dia. O CVV atende pelo 188, 24 horas, e em risco imediato o SAMU atende pelo 192.
📌 Denunciar é proteger.
11. O que fazer se seu filho pratica cyberbullying?
Não negue e não humilhe. Ouça a versão dele, olhe as provas junto com ele, procure entender o que sustenta o comportamento e conduza a responsabilização: apagar o que foi feito, reparar o dano, participar das medidas da escola e cumprir uma restrição com prazo e sentido.

Muitas famílias descobrem pela escola. A coordenação liga, conta que o filho criou um perfil para atacar um colega ou participou de um grupo que humilhava alguém, e a primeira resposta costuma ser: "Meu filho? Não pode ser." Outras descobrem sozinhas, ao ver uma conversa aberta no celular ou ao receber a mensagem de outra família.
Se foi assim com você, talvez esteja sentindo uma mistura de vergonha, raiva, medo e vontade de defender seu filho. Você não precisa ter todas as respostas agora, e o que fizer nas próximas horas pode ajudar seu filho a sair diferente dessa história.
A primeira reação
Duas reações são muito comuns, e as duas atrapalham. A primeira é negar: "meu filho não faria isso", "a escola está exagerando". A segunda é humilhar: gritar, expor, castigar sem conversa. A negação tende a ensinar que não há consequência. A humilhação tende a ensinar vergonha, e vergonha costuma gerar mais defesa do que mudança.
O caminho possível fica no meio: ouvir a versão dele, olhar as provas junto com ele e deixar claro que o comportamento é inaceitável sem retirar o vínculo.
💬 "Eu te amo e não vou fingir que isso está tudo bem. Quero entender o que aconteceu. E você vai reparar o que fez."
Entender o que sustenta o comportamento
Entender o que sustenta o comportamento ajuda a saber o que precisa mudar. Algumas perguntas ajudam:
Ele achava que não seria descoberto? O anonimato baixa o freio.
Havia um grupo por trás, alguém incentivando, uma plateia a quem ele queria agradar?
Havia raiva, inveja, uma briga anterior, alguma coisa que ele sentiu que precisava "devolver"?
Ele também está sendo alvo de alguém, online ou na escola?
Que justificativas ele usa? "Era só zoeira" e "ele também faz" são sinais de desengajamento moral, e servem como ponto de partida da conversa.
Responsabilização que ensina
A Lei 13.185, que criou o programa de combate ao bullying em 2015, orienta evitar, tanto quanto possível, a punição dos autores e privilegiar formas de responsabilização e mudança de comportamento. Na família, isso pode significar:
🧹 desfazer o que foi feito: apagar os perfis, entregar à escola o que for pedido, ajudar a remover o que foi compartilhado;
🤝 reparar: um pedido de desculpas real, feito em particular e quando ele entender o que fez, e não um pedido encenado diante da turma;
🏫 participar das medidas da escola, sem que a família tente livrá-lo delas;
📵 uma restrição com prazo e sentido: perder por um tempo o acesso à rede em que o dano aconteceu, com um caminho claro para recuperar a confiança.
Algumas escolas usam práticas restaurativas, como círculos de conversa e encontros de reparação mediados por adultos. Elas são promissoras para reparar vínculos e melhorar o clima da escola, mas a pesquisa ainda tem pouca evidência de que, sozinhas, reduzam o bullying. Um cuidado importante: encontros entre quem praticou e quem sofreu só fazem sentido se quem sofreu quiser e se houver um adulto preparado conduzindo. Sem isso, o encontro pode expor ainda mais quem foi atacado.
O que os pais precisam saber sobre as consequências legais
⚠️ Informação geral, que não substitui orientação jurídica.
🧑⚖️ Adolescentes de 12 a 17 anos não respondem a processo criminal como adultos. Quando praticam uma conduta descrita como crime, respondem por ato infracional, e o juiz pode aplicar medidas socioeducativas, como advertência, obrigação de reparar o dano e prestação de serviços à comunidade. Abaixo de 12 anos, cabem medidas de proteção.
💰 Os pais respondem civilmente pelos danos causados pelos filhos menores de idade que estão sob sua autoridade e em sua companhia, mesmo sem culpa própria. Ou seja, a família de quem sofreu pode pedir indenização.
📌 Proteger o filho não é livrá-lo da consequência. É ficar ao lado dele enquanto ele a enfrenta.
Quando buscar ajuda profissional
Se o comportamento se repete mesmo depois das consequências, se ele não demonstra empatia pelo colega ao longo das semanas, se há outras condutas agressivas ou se você percebe que ele também está sofrendo, um acompanhamento psicológico pode ajudar a entender o que está por trás e a construir outros caminhos.
12. O que fazer se seu filho vê o cyberbullying e fica calado?
Ensine que dá para agir sem se expor e que contar a um adulto não é dedurar. Programas escolares que ensinam isso aumentam a chance de os estudantes intervirem.

Muitas vezes, alguém na turma sabe ou desconfia de quem está por trás do ataque, e não diz nada. Por medo de virar o próximo alvo, por não querer "dedurar", por achar que não é com ele.
Quem assiste costuma ser a maioria, e tem influência sobre o clima do grupo. Uma meta-análise com 12 programas escolares e quase 13 mil alunos mostrou que ensinar os estudantes a agir quando veem bullying aumenta a chance de que eles intervenham, com efeito maior entre os mais velhos. O efeito é modesto, mas mostra que isso se aprende.
O que o espectador pode fazer sem se expor:
🚫 não curtir, não comentar, não repassar;
💌 mandar uma mensagem privada de apoio a quem está sendo atacado;
🗣️ contar a um adulto de confiança;
📲 denunciar o perfil ou a publicação na plataforma.
💬 "Você não precisa enfrentar ninguém no grupo. Contar para um adulto é impedir que alguém continue sofrendo sozinho."
13. O que a escola deve fazer diante do cyberbullying?
A escola tem o dever legal de prevenir e combater a intimidação sistemática, inclusive a virtual, mesmo quando as mensagens são enviadas fora do horário de aula. Isso inclui acolher quem sofre, apurar sem expor, ouvir quem praticou e a família, trabalhar com a turma, registrar e acionar a rede de proteção quando necessário.

O que a lei exige da escola
⚠️ Informação geral, que não substitui orientação jurídica.
A Lei 13.185/2015 determina que as escolas assegurem medidas de conscientização, prevenção, diagnóstico e combate à intimidação sistemática, e inclui a forma virtual entre elas.
Desde 2018, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação inclui entre as incumbências das escolas "promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das escolas" e "estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas".
A Lei 14.811/2024 determina que o poder público local desenvolva, com a comunidade escolar, protocolos de proteção contra a violência nas escolas, com capacitação continuada dos professores.
O Estatuto da Criança e do Adolescente obriga os dirigentes de ensino a comunicar ao Conselho Tutelar casos de maus-tratos e, desde 2025, de negligência, abuso ou abandono.
A escola não controla o celular dos alunos fora do horário de aula, mas é responsável pelo ambiente que eles dividem.
O que um bom protocolo tem
✍️ receber a denúncia por escrito e preservar as provas;
🛡️ proteger quem sofre (mudança de lugar, atenção nos intervalos, um adulto de referência);
🔎 apurar com cuidado, sem expor suspeitos diante da turma;
👥 ouvir quem praticou e a família dele, em separado, com medidas educativas e de reparação;
📢 conversar com a turma sobre o que aconteceu, sem nomes, com foco em quem assiste;
📋 registrar, acompanhar as semanas seguintes e acionar o Conselho Tutelar quando for o caso.
O que funciona, segundo as pesquisas
Programas escolares de prevenção funcionam, em escala modesta. Uma meta-análise de programas contra o cyberbullying encontrou redução de cerca de 10% a 15% nos ataques praticados e de cerca de 14% na vitimização. Para o bullying em geral, uma revisão com 100 avaliações encontrou reduções de cerca de 20% nos ataques praticados e de 15% na vitimização.
E o celular na escola?
Desde 2025, a Lei 15.100 proíbe o uso de celulares pelos estudantes durante as aulas, o recreio e os intervalos na educação básica, com exceções para fins pedagógicos, acessibilidade, inclusão e saúde. A mesma lei pede que as escolas criem espaços de escuta e acolhimento para o sofrimento dos alunos. Tirar o celular da sala não substitui educar para o que acontece nele.
Quando a escola não age
Escolas particulares respondem pelo serviço que prestam, pelo Código de Defesa do Consumidor, e escolas públicas, pela responsabilidade do Estado prevista na Constituição. Há decisões judiciais que condenaram escolas que se omitiram diante do bullying, e outras que afastaram a responsabilidade quando a escola comprovou que agiu. Para a escola, e sobretudo para o aluno, o que mais ajuda é agir e registrar o que foi feito.
14. Cyberbullying é crime? O que diz a lei
Sim. Desde janeiro de 2024, a intimidação sistemática virtual é crime no Código Penal, com pena de reclusão de 2 a 4 anos e multa. Mas quem tem menos de 18 anos não responde por crime: responde por ato infracional, com medidas do ECA, e os pais respondem civilmente pelos danos.
⚠️ Este bloco é informativo e não substitui orientação jurídica. Procure um advogado ou a Defensoria Pública.
O crime de intimidação sistemática
A Lei 14.811/2024 incluiu no Código Penal o crime de intimidação sistemática (art. 146-A). Quando ela acontece pela internet, redes sociais, aplicativos ou jogos online, ou é transmitida em tempo real, a pena é de reclusão de 2 a 4 anos e multa, se não houver crime mais grave. A criminalização recebeu críticas de juristas, que apontaram falhas na redação do artigo.
Adolescentes respondem por ato infracional, com as medidas descritas na seção 11.
Outras condutas que podem estar envolvidas
Dependendo do caso, a mesma situação pode envolver:
🗯️ ofensas à honra (calúnia, difamação e injúria), com pena aumentada quando a vítima é criança ou adolescente e aplicada em triplo quando o crime é cometido ou divulgado em redes sociais;
✊🏾 injúria racial, hoje prevista na Lei do Racismo;
⚠️ ameaça;
👣 perseguição, quando os ataques se repetem e invadem a vida da vítima, com pena aumentada de metade quando ela é criança ou adolescente;
👩 violência psicológica contra a mulher, com pena aumentada de metade quando se usa inteligência artificial ou outro recurso que altere a imagem ou a voz da vítima;
📤 divulgação de cena de sexo ou nudez sem consentimento, com pena de 4 a 10 anos desde dezembro de 2025;
🖼️ simulação de criança ou adolescente em conteúdo de violência sexual, inclusive com inteligência artificial, com pena de 3 a 5 anos no ECA desde agosto de 2026, e divulgação desse material, com pena de 4 a 10 anos.
O que as plataformas precisam fazer
O ECA Digital (Lei 15.211/2025), em vigor desde março de 2026, obriga as plataformas a vincular contas de até 16 anos a um responsável, oferecer supervisão e retirar conteúdo que viola direitos de adolescentes sem ordem judicial (veja a seção 10).
O Supremo Tribunal Federal também mudou, em 2025, a regra de responsabilidade das plataformas prevista no Marco Civil da Internet, com a redação final da tese fixada em junho de 2026. Em casos de crime ou ato ilícito, elas podem responder pelos danos se não agirem depois de notificadas, e a mesma regra vale para contas denunciadas como não autênticas. Para ofensas à honra, a regra geral continua exigindo ordem judicial, mas a plataforma pode remover o conteúdo a partir da denúncia.
15. Onde buscar ajuda
🩺 Saúde mental: psicólogo ou psiquiatra da infância e adolescência, Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi).
🛡️ Rede de proteção: Conselho Tutelar e Disque 100.
💻 Internet: Canal de Ajuda e Central de Denúncias da SaferNet Brasil.
📞 Sofrimento emocional intenso: CVV, pelo 188 ou por chat, 24 horas, gratuito.
🚑 Risco imediato: SAMU, pelo 192, ou pronto-socorro.
Se quiser entender melhor alguns sinais citados aqui, veja também Ansiedade na adolescência: sinais, causas e como ajudar e Depressão na adolescência: sinais, sintomas e quando buscar ajuda. Para as conversas difíceis do dia a dia, Estratégias eficazes para conversar com adolescentes pode ajudar.
🧡 Para você, adolescente, se chegou até aqui
Se alguém está te atacando, a culpa não é sua. Nem pela foto que você postou, nem pelo que você falou.
Guarde as provas antes de bloquear. Print com o nome do perfil, a data e a hora.
Conte para um adulto de confiança. Pode ser alguém da família, da escola, um professor. Pedir ajuda é um jeito de se proteger.
Não responda e não revide. Revidar costuma alimentar o ataque e pode complicar a sua situação também.
Se você viu alguém sendo atacado, não repasse. Uma mensagem de apoio no privado já ajuda muito.
Se foi você quem começou, ainda dá tempo de parar, apagar e pedir ajuda a um adulto para reparar.
Se estiver pesado demais, o CVV atende pelo 188 ou por chat, a qualquer hora. O Canal de Ajuda da SaferNet também conversa com adolescentes, de forma sigilosa.
Perguntas frequentes sobre cyberbullying
O que é cyberbullying?
É a intimidação repetida e intencional feita por meios digitais, como redes sociais, aplicativos de mensagem e jogos online, para humilhar, ameaçar, excluir ou expor alguém. A Lei 13.185/2015 define o cyberbullying, e a Lei 14.811/2024 o tornou crime no Código Penal.
Qual é a diferença entre bullying e cyberbullying?
Os dois envolvem intenção de ferir, repetição e desequilíbrio de poder. O cyberbullying acontece por meios digitais: pode chegar a qualquer hora, alcançar mais gente, ficar registrado e partir de um perfil anônimo. Pesquisas mostram que as duas formas costumam acontecer juntas.
Cyberbullying é crime? Qual é a pena?
Sim. Desde 2024, a intimidação sistemática virtual é crime, com pena de reclusão de 2 a 4 anos e multa para adultos. Quem tem menos de 18 anos responde por ato infracional, com medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Criar um perfil falso para ofender alguém é crime?
Depende do que o perfil faz. Pode configurar cyberbullying, perseguição, ameaça ou ofensas à honra, entre outras condutas. Se o autor for adolescente, responde por ato infracional. Em qualquer caso, a vítima pode denunciar o perfil na plataforma, que pode ser responsabilizada se não agir.
Como descobrir quem está por trás de um perfil falso?
Só com ordem judicial, pedida pela polícia ou por advogado. As plataformas guardam os registros de acesso por seis meses, por isso é importante registrar as provas e denunciar logo. A família e a escola não conseguem obter esses dados diretamente.
Como denunciar cyberbullying?
Denuncie o perfil e o conteúdo no próprio aplicativo e guarde o protocolo. Avise a escola por escrito. Para orientação, procure o Canal de Ajuda da SaferNet. Em casos graves, registre boletim de ocorrência e procure o Conselho Tutelar ou o Disque 100.
Como provar o cyberbullying?
Com prints que mostrem a mensagem, o nome do perfil, a data, a hora e o link, além de um vídeo da tela rolando a conversa. Não apague nada. Para processos judiciais, a ata notarial feita em cartório dá mais força à prova.
A escola é obrigada a agir se as mensagens foram enviadas de casa?
Sim. A lei obriga as escolas a prevenir e combater a intimidação sistemática, inclusive a virtual. Como o bullying online e o presencial costumam andar juntos, o que acontece no celular afeta a convivência na escola.
Os pais de quem pratica cyberbullying podem ser processados?
Sim, na esfera civil. O Código Civil determina que os pais respondem pelos danos causados pelos filhos menores de idade que estão sob sua autoridade e em sua companhia, mesmo sem culpa própria.
O que fazer se meu filho pratica cyberbullying?
Não negue e não humilhe. Ouça a versão dele, olhe as provas junto com ele e entenda o que sustenta o comportamento. Depois, conduza a responsabilização: apagar o que foi feito, reparar o dano, cumprir as medidas da escola e, se o comportamento se repetir, buscar ajuda profissional.
Devo tirar o celular do meu filho?
Se ele sofreu o ataque, não: tirar o celular pune quem sofreu e pode ensiná-lo a esconder da próxima vez. Se ele praticou, uma restrição temporária, com prazo e sentido claros, pode fazer parte da responsabilização.
Fazer nude falso de colega com inteligência artificial é crime?
Sim. Desde agosto de 2026, o Estatuto da Criança e do Adolescente diz expressamente que simular a participação de criança ou adolescente em conteúdo de violência sexual, inclusive com inteligência artificial, é crime. Adolescentes que fazem isso respondem por ato infracional.
Cyberbullying pode causar depressão?
Ser alvo de cyberbullying está associado a mais sintomas depressivos, ansiedade e solidão, e a mais risco de autolesão. Os estudos mostram associação, e não uma causa única. Se a tristeza durar semanas e afetar o sono, a escola e as amizades, procure avaliação.
Sobre a autora
Paloma Garcia é terapeuta cognitivo-comportamental da infância e adolescência, neuropsicopedagoga e orientadora parental. Há mais de dez anos acompanha adolescentes e suas famílias.
Este conteúdo foi produzido com base em fontes científicas verificáveis e revisadas. Não substitui acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou orientação jurídica individualizada.
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