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Separação dos pais na adolescência: como contar, apoiar e proteger seu filho

Foto do escritor: Paloma Garcia
Paloma Garcia
31 de jan. de 2024
24 min de leitura

Atualizado: há 6 dias

Atualizado em outubro de 2026


Para ajudar um filho adolescente na separação dos pais: contem juntos e sem culpados, deixem claro que os dois continuam presentes, não o coloquem no meio do conflito como mensageiro, espião ou confidente, preservem a rotina e a escola e acolham as reações sem pressa. A maioria dos adolescentes se adapta, principalmente quando o conflito entre os pais diminui. Se houver violência, a prioridade é a proteção.

Numa noite de terça-feira, depois do jantar, os pais chamam o filho de 15 anos para conversar na sala. Ele já desconfiava. As brigas tinham parado, mas o silêncio em casa estava diferente. Ouve que os pais vão se separar, diz "tanto faz" e vai para o quarto.


Nas semanas seguintes, ele responde com monossílabos e deixa de entregar trabalhos da escola. No primeiro fim de semana na casa nova do pai, ouve a pergunta: "E a sua mãe, tem saído com alguém?"


Separação dos pais na adolescência: coração de papel rasgado ao meio, representando o fim do casamento.

A separação dos pais na adolescência mexe com a rotina, a escola, as amizades e a forma como o adolescente vê a própria família. Este guia mostra, com base em pesquisas e na lei brasileira, o que fazer em cada etapa: da conversa em que os pais contam até a vida em duas casas.


⚠️ Aviso: este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui avaliação, acompanhamento profissional nem orientação jurídica. Em situação de violência, ligue 190. Violência contra a mulher: Ligue 180. Violência contra crianças e adolescentes: Disque 100. Crise emocional: CVV (188) ou SAMU (192).


1. O que acontece com o adolescente quando os pais se separam


A maioria dos adolescentes se adapta à separação dos pais, mas o risco de dificuldades aumenta quando há conflito intenso entre os pais, perda de renda, muitas mudanças ou quando o adolescente é colocado no meio.


O que mostram as pesquisas


Há décadas, os estudos comparam filhos de pais separados e filhos de pais que continuam casados. As metanálises do sociólogo Paul Amato, que reuniram dezenas de pesquisas, encontraram diferenças pequenas, em média, entre os dois grupos em desempenho escolar, comportamento, autoestima e relações sociais.


A psicóloga E. Mavis Hetherington acompanhou famílias por mais de 20 anos. Ela concluiu que a maioria dos filhos de pais separados não desenvolve problemas sérios no longo prazo, embora o risco seja maior do que entre filhos de pais que continuam juntos.


O sofrimento dessa fase é real, e o que os adultos fazem depois da separação influencia muito o resultado.


O que aumenta o risco


Uma revisão publicada no Jornal de Pediatria, revista da Sociedade Brasileira de Pediatria, e outros estudos internacionais apontam os mesmos fatores principais:


  • Conflito entre os pais, principalmente quando é frequente, intenso e acontece na frente dos filhos. Uma revisão dos psicólogos Gordon Harold e Ruth Sellers mostrou que esse conflito se associa a problemas emocionais e de comportamento dos filhos, em famílias separadas ou não.

  • Coparentalidade conflituosa ou descomprometida, quando os pais não conseguem cooperar na criação dos filhos.

  • Sentir-se no meio dos pais. Num estudo de Paul Amato e Tamara Afifi com jovens adultos, quem se sentia dividido entre o pai e a mãe tinha pior bem-estar e relações mais difíceis com os dois.

  • Queda da segurança financeira depois da separação.

  • Problemas de saúde mental dos pais, com destaque para a depressão.

  • Muitas mudanças em pouco tempo: de casa, de escola, de cidade, de parceiros dos pais.

  • Características do próprio adolescente, como o temperamento e a forma de lidar com o estresse.


A mesma revisão destaca que, quando há pouco conflito e pouca hostilidade entre os pais, os filhos tendem a se adaptar de forma parecida com filhos de famílias que vivem juntas com pouco conflito.


No Brasil, um estudo publicado em 2020 na revista Estudos e Pesquisas em Psicologia, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ouviu pais e mães separados. A maior parte avaliou a coparentalidade como negativa. Por isso, este guia dedica tanto espaço à comunicação entre os pais.


Separação não é estresse tóxico


Talvez você já tenha lido que a separação causa "estresse tóxico" no cérebro do adolescente. O termo vem do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade Harvard. Ele descreve adversidades fortes, frequentes e prolongadas, como abuso, negligência ou violência, sem um adulto que proteja.


Uma separação com adultos presentes e atentos gera um estresse difícil, que o adolescente consegue atravessar com apoio. O quadro muda quando há violência, negligência ou conflito muito intenso e prolongado.


Os números no Brasil


Segundo o IBGE, o Brasil registrou 428,3 mil divórcios em 2024, e pouco mais da metade envolveu casais com pelo menos um filho menor de 18 anos. Pela primeira vez, a guarda compartilhada foi a forma mais adotada nos divórcios judiciais com filhos menores: 44,6%, contra 42,6% de guarda só da mãe. Em 2014, era de 7,5%.


Esses números incluem só divórcios. Separações de casais em união estável e de pais que nunca moraram juntos não aparecem na estatística, e as orientações deste guia valem para todas elas.


2. Como contar ao filho adolescente sobre a separação


Para contar a separação ao filho adolescente, combinem antes o que dizer, contem juntos se for possível e seguro, digam que a decisão é dos adultos e que a culpa não é dele, e expliquem o que muda e o que continua igual.


Antes da conversa


  • Combinem entre vocês o que vão dizer, mesmo que estejam magoados. Uma versão única evita que o filho ouça duas histórias diferentes.

  • Contem juntos, se for possível e seguro. Isso mostra que os dois continuam sendo pais dele.

  • Escolham o momento: um lugar reservado, sem pressa, num dia em que ninguém precise sair logo depois. Evitem véspera de prova, aniversários e datas especiais.

  • Contem quando a decisão estiver tomada e antes de as mudanças acontecerem. Descobrir por terceiros ou sozinho tende a doer mais.

  • Se houver irmãos, contem para todos juntos e, depois, conversem com cada um em separado.


O que dizer


💬 "A gente decidiu se separar. Foi uma decisão difícil, de nós dois, sobre o nosso casamento, e não tem nada a ver com você. A gente continua sendo seus pais e vai continuar cuidando de você. Vamos te contar o que muda, e você pode perguntar o que quiser."


O que evitar


❌ Evite: "Seu pai arrumou outra pessoa." "Foi sua mãe que quis acabar com a família."


✅ Prefira: 💬 "Os motivos são assunto entre nós dois. O que importa para você é que nós dois vamos continuar aqui."


  • Não conte detalhes da relação, como traição, dívidas ou brigas antigas, mesmo que ele pergunte. Esses detalhes o puxam para o lado de um dos pais.

  • Não prometa o que não pode cumprir, como "nada vai mudar".

  • Não peça que ele escolha com quem vai morar ou de quem gosta mais.


As perguntas que ele pode fazer


  • "Foi por minha causa?" 💬 "Não. Nada do que você fez causou isso."

  • "Vocês vão voltar?" 💬 "Não. A decisão está tomada. Sei que é difícil ouvir isso."

  • "Com quem eu vou morar?" 💬 "A gente está organizando e vai te contar. Sua opinião importa, mas a decisão é nossa."

  • "Vou ter que mudar de escola?" Respondam com o que já sabem e prometam contar assim que decidirem.

  • "Por que vocês não tentaram mais?" 💬 "A gente tentou por bastante tempo. Também queríamos que desse certo."


Se ele reagir com raiva, silêncio ou indiferença


Todas essas reações são comuns. Alguns adolescentes choram, outros gritam, outros dizem que "tanto faz". Alguns sentem alívio, principalmente quando a casa vivia em conflito, e depois se culpam por isso.


💬 "Você não precisa saber agora o que sente. Quando quiser conversar, estou aqui."


3. Reações esperadas e quanto tempo leva a adaptação


Raiva, tristeza, alívio, vergonha e conflito de lealdade são reações esperadas. Nas pesquisas, a maior parte das famílias se reorganiza ao longo dos dois primeiros anos, e o primeiro tende a ser o mais difícil.


O que pode aparecer


  • Raiva de um dos pais ou dos dois.

  • Tristeza e saudade da família como era, mesmo que ela vivesse em conflito.

  • Alívio, quando a casa vivia em tensão, muitas vezes seguido de culpa.

  • Vergonha diante dos amigos.

  • Conflito de lealdade: a sensação de que gostar de um é trair o outro.

  • Preocupação com o pai ou a mãe que parece mais abalado.

  • Desconfiança sobre os próprios relacionamentos, com frases como 💬 "Nunca vou casar".

  • Mais tempo com os amigos e afastamento da família.

  • Oscilações na escola, no sono e no apetite nas primeiras semanas.


Quanto tempo leva


Nas pesquisas de Hetherington, a maior parte das famílias se reorganizou ao longo dos dois primeiros anos. Esse tempo tende a ser maior quando há conflito intenso, muitas mudanças ou novos parceiros entrando cedo na vida da família.


Como acolher


  • Dê nome ao que ele parece sentir, sem corrigir: 💬 "Parece que você está com muita raiva de tudo isso. Faz sentido."

  • Não exija que ele fique bem rápido nem que concorde com a decisão.

  • Mantenha a rotina: horários, escola, atividades e amigos.

  • Mostre que ele pode gostar dos dois: 💬 "Você pode amar seu pai e sua mãe ao mesmo tempo. Isso não é traição com ninguém."

  • Converse em momentos laterais, como no carro, numa caminhada ou cozinhando juntos. Mais formas de abrir conversa estão em estratégias eficazes para conversar com adolescentes.


Adolescente sentada num balanço, de cabeça baixa, triste depois da separação dos pais.

4. O que não pedir ao adolescente


O adolescente não deve ser mensageiro, espião, confidente ou juiz entre os pais, nem assumir o lugar do adulto que saiu. Esses papéis aumentam a sensação de estar no meio, que as pesquisas associam a pior bem-estar.


Mensageiro


❌ Evite: "Avisa seu pai que a pensão atrasou de novo."


✅ Prefira: resolver direto com o outro adulto, por mensagem ou aplicativo.


Espião


❌ Evite: "Sua mãe está saindo com alguém?"


✅ Prefira: 💬 "Como foi o fim de semana? Fez alguma coisa legal?", e aceitar a resposta que ele der.


Confidente


❌ Evite: desabafar com ele sobre a dor, a raiva, o ciúme ou as dívidas.


✅ Prefira: 💬 "Hoje estou um pouco triste, mas estou cuidando disso com quem pode me ajudar."


Juiz


❌ Evite: "Você viu o que seu pai fez? Fala se eu não tenho razão."


✅ Prefira: deixar os conflitos de adultos fora da conversa com ele.


Substituto do adulto que saiu


Pedir que o filho mais velho seja "o homem da casa", cuide dos irmãos o tempo todo ou faça companhia emocional ao pai ou à mãe se chama parentificação. Ajudar em casa faz parte da vida em família. Responsabilidades de adulto e o cuidado emocional dos pais ficam com os adultos.


Falar mal do outro


Suspiros, ironias e comentários como 💬 "Típico do seu pai" também chegam ao adolescente. Ele sabe que é metade de cada um, e ouvir críticas ao outro tende a soar como crítica a ele mesmo.


Quando o adolescente passa a rejeitar um dos pais sem motivo proporcional, pode ser alienação parental. Veja o artigo sobre alienação parental e o adolescente no meio do conflito.


5. Coparentalidade: como pais separados podem se comunicar


Coparentalidade é a forma como dois adultos dividem a criação dos filhos, juntos ou separados. Depois da separação, a relação de casal termina e a parceria como pais continua. A psicóloga Joan Kelly e o psicólogo Robert Emery, numa revisão sobre a adaptação dos filhos ao divórcio, destacaram que a qualidade dessa parceria conta mais do que o tipo de guarda.


Três formas de coparentalidade


Forma

Como funciona

Quando é possível

Cooperativa

Os pais conversam, decidem juntos e combinam regras parecidas

Quando o conflito é baixo e há respeito entre os dois

Paralela

Cada um decide o dia a dia na sua casa; a comunicação é mínima, por escrito e só sobre os filhos

Quando o conflito ainda é alto, mas não há violência

Conflituosa

Brigas frequentes, o filho no meio, um desautorizando o outro

É a que mais prejudica e precisa ser interrompida


Muitas famílias começam com a coparentalidade paralela e, com o tempo, conseguem cooperar mais. Enquanto o diálogo ainda gera briga, essa distância protege o adolescente.


Como se comunicar com o outro pai ou mãe


  • Prefira mensagens escritas, curtas, objetivas e educadas.

  • Fale só sobre o filho: horários, escola, saúde, gastos combinados e eventos.

  • Espere antes de responder a uma mensagem que irritou.

  • Use uma agenda compartilhada para provas, consultas e dias de cada casa.

  • Considere um aplicativo de coparentalidade (veja a seção 6).


Um acordo por escrito


Mesmo com a guarda definida, ajuda combinar por escrito:


  • horários de dormir e regras de celular nas duas casas;

  • acompanhamento da escola e reuniões;

  • saúde: consultas, medicamentos e terapia;

  • festas, saídas, viagens e datas comemorativas;

  • divisão das despesas extras;

  • como e quando apresentar novos parceiros;

  • quando revisar o acordo, à medida que ele cresce.


Para construir esse acordo com ajuda de um mediador, veja a seção 15.


6. Aplicativos de coparentalidade para pais separados


Os aplicativos de coparentalidade reúnem num só lugar a agenda de convivência, as mensagens entre os pais, as despesas com os filhos e documentos como boletins e receitas. Muitos guardam o histórico das conversas sem permitir que mensagens sejam apagadas, o que ajuda a manter a comunicação objetiva e fora do WhatsApp.


Aplicativos brasileiros


Aplicativo

O que oferece

Custo

Situação nas lojas

Os Nossos

Agenda de convivência, pedidos de troca de dias, divisão de despesas, decisões por tema e chat

Gratuito, com versão paga

Android: mais de 10 mil downloads; ainda poucas avaliações na App Store

Compartilhando a Guarda

Mensagens internas, registro de acontecimentos, despesas com comprovantes, documentos e calendário

Gratuito, com compras no aplicativo

App Store: nota 4,3, com poucas avaliações

Compartilar

Perfis dos filhos com informações de saúde e escola, agenda compartilhada, chat e rede de apoio

Consultar o site

Criado por uma advogada de família a partir de pesquisa de doutorado; ainda sem avaliações públicas suficientes

Vida Compartilhada

Informações sobre saúde, educação, viagens e acidentes dos filhos

Gratuito

Doado ao CNJ e adotado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em 2022; conferir a disponibilidade


Aplicativos internacionais mais usados (em inglês)


Aplicativo

O que oferece

Custo

Avaliação aproximada

OurFamilyWizard (EUA, desde 2001)

Mensagens com registro que não pode ser apagado, verificador de tom, calendário, despesas e diário

Pago, por responsável

App Store: cerca de 4,6, com dezenas de milhares de avaliações; Google Play: cerca de 4,2; aceito por tribunais nos EUA

TalkingParents (EUA)

Registro de mensagens que não pode ser apagado, ligações gravadas e calendário

Pago; o plano gratuito no aplicativo terminou em 2026

Bem avaliado; usado em situações de conflito alto

AppClose (EUA)

Calendário, despesas, pedidos e mensagens

Teste gratuito e depois pago, desde janeiro de 2026

App Store: cerca de 4,7

2houses (Bélgica)

Calendário, despesas, diário e banco de informações dos filhos

Assinatura por família

App Store: cerca de 4,0; Google Play: cerca de 2,9; vários idiomas


Notas e preços consultados em outubro de 2026, em lojas e sites dos desenvolvedores. Eles mudam com frequência.


Como escolher


  • Os dois pais precisam aceitar usar.

  • Prefira os que guardam o histórico sem permitir apagar mensagens, principalmente quando há conflito.

  • Verifique o idioma e o custo. Alguns cobram de cada responsável, outros por família.

  • Leia a política de privacidade. No Brasil, os dados dos filhos são protegidos pela LGPD.

  • Veja se dá para exportar os registros, caso seja preciso apresentá-los a um advogado ou ao juiz.

  • Opção gratuita: uma agenda compartilhada no celular, como o Google Agenda, e um e-mail só para os assuntos dos filhos.


Atenção: nenhum aplicativo resolve o conflito sozinho. Os registros podem ser usados como prova, mas o valor depende de cada caso. Quando há violência doméstica, confirme que o aplicativo não compartilha sua localização nem seu endereço.


7. Guarda compartilhada e o que diz a lei


No Brasil, a guarda compartilhada é a regra quando os dois pais estão aptos a cuidar do filho. Ela significa que os dois decidem juntos as questões importantes, e não necessariamente que o tempo é dividido igualmente.


Guarda compartilhada


  • A regra: desde a Lei 13.058/2014, a guarda compartilhada é aplicada mesmo quando não há acordo entre os pais.

  • O que muda na prática: os dois decidem juntos escola, saúde e mudanças.

  • O tempo de convívio deve ser equilibrado, de acordo com o interesse do filho, e costuma haver uma cidade de referência para a moradia.

  • A exceção: desde a Lei 14.713/2023, ela não é aplicada quando há indícios de risco de violência doméstica (veja a seção 14).


O adolescente pode escolher com quem morar?


Não existe uma idade em que o adolescente decide sozinho. A ideia de que "aos 12 anos o filho escolhe" é um mito. A opinião dele é ouvida e considerada, com mais importância conforme a idade e a maturidade, mas a decisão leva em conta o conjunto da situação.


💬 "Sua opinião é muito importante e a gente quer ouvir. A decisão final fica com os adultos, para que você não precise escolher entre nós dois."


Pensão


A pensão alimentícia não termina automaticamente aos 18 anos. Pela Súmula 358 do Superior Tribunal de Justiça, o fim depende de decisão judicial, e a continuidade dos estudos costuma ser considerada. Discussões sobre pensão são assunto de adultos e não devem passar pelo adolescente.


União estável e pais que nunca moraram juntos


As regras de guarda, convivência e pensão valem também para a dissolução de união estável e para pais que nunca viveram juntos.


Para decisões sobre guarda, convivência e pensão, procure um advogado ou a Defensoria Pública.


8. Vida em duas casas


A vida em duas casas funciona melhor com calendário claro, regras básicas parecidas, um espaço próprio do adolescente em cada casa e trocas sem conflito entre os pais.


O dia a dia


  • Calendário visível, para que ele saiba onde vai estar em cada dia.

  • Regras básicas parecidas sobre sono, celular e estudos, e tranquilidade com diferenças menores.

  • Um espaço próprio em cada casa, mesmo que pequeno.

  • Itens duplicados: carregador, escova de dentes, uniforme, material básico.

  • Trocas sem encontro tenso. Quando o encontro entre os pais gera briga, a troca pode ser feita na escola.


Chegada sem interrogatório:


❌ Evite: "O que sua mãe falou de mim?"


✅ Prefira: 💬 "Que bom que você chegou. Quer comer alguma coisa?"


  • Contato livre com o outro pai ou mãe durante a estadia, sem vigiar as conversas.

  • Flexibilidade com a vida dele. Revisem o plano de convivência à medida que ele cresce, considerando amigos, treinos, festas e provas.

  • Mudança de cidade de um dos pais pede planejamento, conversa com o adolescente e, quando necessário, revisão judicial do acordo. Viagens ao exterior com só um dos pais exigem autorização do outro, como explico no guia sobre férias em família com adolescentes.


Separados sob o mesmo teto


Muitos casais decidem se separar, mas continuam morando juntos por um tempo, em geral por falta de dinheiro.


  • Contem ao adolescente o que está acontecendo.

  • Combinem regras de convivência entre os adultos.

  • Evitem discussões na frente dele.

  • Tenham um prazo aproximado para a saída de um dos dois.


💬 "Vamos continuar morando aqui por um tempo, enquanto organizamos a mudança. Não estamos mais juntos como casal, mas vamos manter a casa tranquila para você."


Datas especiais


  • Combinem com antecedência, por escrito, como ficam aniversários, Natal, Ano-Novo, Dia dos Pais e Dia das Mães, alternando ou dividindo os dias.

  • Evitem que ele tenha que escolher onde passar cada data.

  • Em formaturas e apresentações, os dois podem ir, mesmo em lugares separados, desde que sem conflito.


💬 "Este ano o Natal é com a sua mãe e o Ano-Novo comigo. No ano que vem, a gente inverte."


Celular e redes sociais


  • Não exponha a separação nas redes, nem com indiretas, fotos ou desabafos.

  • Não peça que ele mostre prints de conversas com o outro pai ou mãe.

  • Converse sobre o que ele posta sobre a família, sem proibir.

  • Combine regras de celular parecidas nas duas casas, para que o aparelho não vire moeda de troca.


9. Escola e desempenho escolar depois da separação


A separação pode afetar o desempenho escolar, principalmente nos primeiros meses. Ajuda contar à escola, manter os dois pais acompanhando os estudos, organizar a rotina de estudo nas duas casas e evitar grandes mudanças perto de provas.


Adolescente sentado numa escadaria com a mochila, preocupado com a escola depois da separação dos pais.

O que a pesquisa mostra


Um estudo de 2019, de pesquisadores norte-americanos, acompanhou famílias por anos. Entre filhos brancos, a queda da renda depois da separação explicou de um a dois terços do efeito negativo do divórcio na escolaridade. Entre filhos não brancos, o divórcio não reduziu a escolaridade. Outro estudo do mesmo grupo, na revista PNAS, mostrou que o prejuízo escolar apareceu principalmente nas famílias em que a separação era pouco provável.


São estudos dos Estados Unidos, e ainda faltam pesquisas equivalentes no Brasil. Eles indicam que preservar a rotina, a escola e as condições materiais protege o adolescente tanto quanto cuidar das emoções.


Conte à escola


Informe à coordenação ou à orientação educacional:


  • que houve uma separação e desde quando;

  • como ficou a guarda e quem pode buscar o adolescente;

  • os contatos dos dois pais;

  • se há algum cuidado específico, como acompanhamento psicológico ou restrição judicial.


Não é preciso contar detalhes. Combine com o adolescente o que será dito, para que ele não se sinta exposto.


Os dois pais acompanhando


Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, alterada pela Lei 12.013/2009, a escola deve informar pai e mãe, morando ou não com o filho, sobre frequência e rendimento, independentemente do tipo de guarda.


  • Os dois devem ter acesso à agenda, à plataforma, aos boletins e aos comunicados.

  • Reuniões: juntos, quando o clima permite; em horários separados, quando não.

  • Calendário de provas compartilhado, sem trocas de casa em véspera de prova importante.

  • Lugar e rotina de estudo nas duas casas.

  • Em anos de vestibular e ENEM, evitem grandes mudanças perto das provas.


Queda esperada e queda que preocupa


Oscilações nas primeiras semanas são comuns. Pede atenção quando:


  • a queda dura mais de um bimestre;

  • aumentam as faltas ou ele recusa a escola;

  • ele se isola dos colegas;

  • os professores relatam mudanças importantes de comportamento.


❌ Evite: "Com essa nota, quero ver o que seu pai vai dizer."


✅ Prefira: 💬 "Percebi que as notas caíram. Sei que este semestre está difícil. Vamos pensar juntos no que pode te ajudar?"


Se as dificuldades persistirem, procure avaliação. Às vezes a separação torna visíveis dificuldades de aprendizagem, ansiedade ou desatenção que já existiam.


10. Dinheiro e mudanças materiais


Como a perda de renda é um dos principais fatores de risco, proteger a estabilidade material do adolescente faz parte do cuidado.


  • Preservem o que for possível, principalmente a escola e as atividades que dão estabilidade.

  • Expliquem as mudanças com honestidade e sem drama: 💬 "Com duas casas, vamos precisar mudar alguns gastos. O que é importante para você a gente vai tentar manter."

  • Não discutam pensão e despesas na frente dele nem por meio dele.

  • Não usem presentes e passeios para competir com o outro pai ou mãe.

  • Não deixem que ele se sinta culpado pelos custos de criá-lo.

  • Se for preciso mudar de escola ou de casa, planejem com antecedência e evitem várias mudanças ao mesmo tempo.


11. Quando o adolescente não quer ir à casa do pai ou da mãe


Antes de forçar ou desistir, entenda o motivo da recusa e incentive a convivência sem pressão nem culpa. Se ele relatar medo ou violência, a prioridade é a proteção.


Motivos comuns


  • a agenda dele, com amigos, treinos e festas perto de uma das casas;

  • regras muito diferentes entre as casas;

  • uma nova família na outra casa;

  • sentir-se visita, sem espaço próprio;

  • mágoa com aquele pai ou mãe;

  • lealdade com o outro, quando percebe que um dos pais sofre com a sua ausência;

  • distância e deslocamento cansativos;

  • problemas reais, como agressividade, uso de álcool ou violência.


Se ele mora com você


Incentive a convivência sem forçar e sem demonstrar alívio quando ele desiste de ir:


💬 "Sei que você não está com vontade. O que está difícil na casa do seu pai?"


Se ele não quer ir à sua casa


❌ Evite: "Você não gosta mais de mim."


✅ Prefira: 💬 "Sinto sua falta. Quero entender o que está difícil. Posso mudar alguma coisa?"


  • Proponha encontros mais curtos e atividades que ele escolha.

  • Ouça as críticas sem se defender logo.

  • Mantenha contato com mensagens leves, mesmo quando ele responde pouco.


Quando é sinal de alerta


  • Relato de medo, agressão, abuso ou negligência: acolha, não force a convivência e procure o Conselho Tutelar, o Disque 100 ou a delegacia.

  • Hostilidade intensa e sem motivo proporcional, com frases que parecem repetidas de um adulto e rejeição de toda a família de um dos lados: pode ser alienação parental.


E quando ele quer mudar de casa?


A partir dos 13 ou 14 anos, muitos adolescentes pedem para morar com o outro pai ou mãe, por vontade de conviver mais com o pai ou a mãe do mesmo sexo, regras mais flexíveis, a escola, os amigos ou um conflito com quem mora com ele.


  • Ouça os motivos sem tratar o pedido como traição.

  • Conversem entre os adultos antes de responder.

  • Considerem um período de experiência, com data para avaliar juntos, quando for possível e seguro.

  • Formalizem a mudança com orientação jurídica, se ela acontecer.


💬 "Fiquei surpresa e um pouco triste, mas quero entender. O que você imagina que seria diferente morando com seu pai?"


12. Quando um dos pais se afasta


Quando um dos pais se afasta, não invente desculpas nem critique quem se afastou. Descreva os fatos, deixe claro que a culpa não é do adolescente e ajude-o a fortalecer vínculos com outros adultos de confiança.


Em muitas famílias, depois da separação, um dos pais vai se afastando: liga menos, falta aos fins de semana combinados, some por meses. Para o adolescente, esse afastamento pode doer mais do que a própria separação.


  • Não esconda nem invente desculpas. O adolescente percebe, e as desculpas repetidas abalam a confiança em você também.

  • Descreva os fatos sem julgamento: 💬 "Seu pai não veio de novo. Sei que isso te deixa triste e com raiva."

  • Deixe claro que a ausência não é culpa dele: 💬 "O afastamento dele tem a ver com as dificuldades dele, e não com quem você é."

  • Mantenha a porta aberta, sem pressionar o adolescente a procurar quem se afastou e sem impedir se ele quiser.

  • Fortaleça outros vínculos: avós, tios, padrinhos, professores, treinadores.

  • Se a tristeza ou a raiva se prolongarem, a terapia pode ajudar o adolescente a elaborar essa perda.


13. Novos parceiros, família recomposta e avós


Apresente um novo parceiro só quando a relação estiver estável, conte ao adolescente antes, não exija afeto e deixe a disciplina, no começo, com o pai ou a mãe. Preserve também o contato com os avós dos dois lados.


Novos parceiros


  • Dê tempo. Apresentar alguém logo depois da separação é difícil para o adolescente.

  • Conte ao adolescente antes e, quando possível, avise o outro pai ou mãe.

  • Não exija afeto. Peça respeito, e garanta o mesmo respeito a ele.

  • No começo, a disciplina fica com o pai ou a mãe. Uma orientação frequente entre especialistas em famílias recompostas é que o padrasto ou a madrasta comece como um adulto amigo e de apoio.

  • Mantenha momentos só com o seu filho.

  • Não peça que ele chame o novo parceiro de pai ou mãe.

  • Meio-irmãos e filhos do novo parceiro podem despertar ciúme. Converse com cada um e evite comparações.


💬 "Quero que você conheça uma pessoa importante para mim. Você não precisa gostar dela, mas peço respeito. E o nosso tempo, só nós dois, continua."


Avós e família estendida


O Código Civil garante aos avós o direito de convivência com os netos.


  • Preserve o contato com a família dos dois lados, quando não há risco.

  • Peça aos familiares que não falem mal do outro pai ou mãe na frente dele.

  • Não use os avós como mensageiros ou fonte de informação sobre a outra casa.


14. Quando há violência


Quando há violência doméstica, a prioridade é a proteção, e as orientações sobre coparentalidade cooperativa deixam de valer.


  • A guarda compartilhada não se aplica quando há indícios de risco de violência. Pela Lei 14.713/2023, o juiz deve perguntar sobre esse risco antes da audiência de mediação.

  • Medidas protetivas podem ser pedidas pela Lei Maria da Penha, na delegacia ou com a Defensoria Pública.

  • A comunicação deve passar por terceiros, como advogados, Defensoria ou serviços de proteção, e as trocas devem acontecer em locais seguros.

  • O adolescente que presenciou violência precisa de acolhimento e, muitas vezes, de acompanhamento psicológico.


Canais: perigo imediato, 190; violência contra a mulher, Ligue 180; violência contra crianças e adolescentes, Disque 100 ou Conselho Tutelar; acompanhamento da família, CREAS (veja a seção 15).


15. Ajuda gratuita para pais em separação no Brasil


O Brasil oferece ajuda gratuita para famílias em separação: a Oficina de Divórcio e Parentalidade do CNJ, a mediação nos CEJUSCs, a Defensoria Pública, as clínicas-escola de psicologia e os serviços da assistência social.


Oficina de Divórcio e Parentalidade (CNJ)


O Conselho Nacional de Justiça oferece um curso on-line, gratuito e permanente para famílias em separação. Basta fazer um cadastro no ambiente virtual de aprendizagem do CNJ. O curso trabalha a passagem da relação de casal para a relação de pais, os efeitos do conflito nos filhos e a organização da convivência.


Muitos tribunais também oferecem a oficina presencial, com um grupo para os pais e outro para os filhos, incluindo um grupo para adolescentes de 12 a 18 anos. Desde 2014, o CNJ recomenda que os tribunais adotem as oficinas. Pesquisas brasileiras já ouviram famílias participantes, mas ainda faltam estudos que meçam os efeitos de forma controlada.


CEJUSCs: mediação e conciliação gratuitas


Os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania, ligados aos tribunais de justiça, oferecem mediação e conciliação em guarda, convivência e pensão. Em muitos estados, é possível procurá-los antes de abrir um processo.


Defensoria Pública


Atende quem não pode pagar advogado em ações de guarda, convivência e pensão. Muitas Defensorias têm núcleos de família e oferecem mediação.


Clínicas-escola de psicologia


Universidades com curso de psicologia mantêm clínicas com atendimento gratuito ou de baixo custo para adolescentes, famílias e casais em separação, feito por estudantes sob supervisão de professores.


CRAS e CREAS


  • CRAS: acompanha famílias em situação de vulnerabilidade, inclusive quando a separação traz dificuldades financeiras.

  • CREAS: atende famílias em que há violência ou violação de direitos de crianças e adolescentes.


O que a pesquisa brasileira mostra


As psicólogas Luciana Grzybowski e Adriana Wagner estudam a coparentalidade depois do divórcio. Num estudo com pais e mães separados, os pais que não moravam com os filhos descreveram a criação depois da separação como marcada por perdas, e relataram distância, inclusive emocional. O achado reforça a importância de manter o pai ou a mãe que não mora com o filho participando de decisões e rotinas, e não só dos fins de semana.


16. Cuidar de quem cuida


A depressão dos pais está entre os principais fatores de risco para a adaptação dos filhos à separação. Cuidar de si faz parte de cuidar do adolescente.


  • Procure apoio para você: amigos, família, grupos e terapia.

  • Não use o filho como confidente.

  • Diminua as cobranças sobre si mesmo: ninguém acerta tudo nessa fase.

  • Considere fazer a Oficina de Divórcio e Parentalidade do CNJ.

  • Se o cansaço virou esgotamento, leia sobre burnout parental.


💬 "Esta fase está difícil para todo mundo aqui, inclusive para mim. Estou cuidando de mim também, para conseguir cuidar de você."


17. Sinais de alerta: quando procurar ajuda profissional


Procure avaliação quando tristeza, irritação ou isolamento durarem semanas, a escola cair de forma persistente ou aparecerem uso de álcool e drogas, comportamentos de risco, autolesão ou falas sobre não querer viver.


Sinais que pedem avaliação


  • tristeza, irritação ou apatia na maior parte dos dias, por semanas;

  • isolamento dos amigos e desinteresse pelo que gostava;

  • queda importante e persistente na escola ou recusa em ir às aulas;

  • alterações grandes no sono ou na alimentação;

  • uso de álcool ou outras drogas;

  • comportamentos de risco;

  • autolesão ou falas sobre não querer viver.


Quem pode ajudar


  • Psicólogo ou psiquiatra da infância e da adolescência, para o adolescente.

  • Terapia de família ou orientação parental, para os pais.

  • Psicopedagogo ou neuropsicopedagogo, quando há dificuldades de aprendizagem.

  • UBS e CAPSij (Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil), pelo SUS.

  • CVV (188) e SAMU (192), em crise ou risco.



18. Perguntas frequentes sobre a separação dos pais na adolescência


Como contar ao filho adolescente sobre a separação?


Combinem antes o que dizer e, se for possível e seguro, contem juntos, num lugar reservado e sem pressa. Digam que a decisão é dos adultos, que a culpa não é dele, que os dois continuam sendo pais dele e o que vai mudar. Evitem detalhes da relação e acusações ao outro.


Como a separação dos pais afeta o adolescente?


A maioria dos adolescentes se adapta, em geral ao longo dos dois primeiros anos. O risco de dificuldades emocionais e escolares aumenta quando há conflito intenso entre os pais, perda de renda, muitas mudanças, depressão dos pais ou quando o adolescente é colocado no meio do conflito.


Com que idade o filho pode escolher com quem quer morar?


Não existe uma idade em que o adolescente decide sozinho. A opinião dele é ouvida e considerada, com mais importância conforme a idade e a maturidade, mas a decisão leva em conta o conjunto da situação. Para decisões sobre guarda, procure um advogado ou a Defensoria Pública.


Guarda compartilhada significa dividir o tempo igualmente?


Não necessariamente. Na guarda compartilhada, os dois pais decidem juntos as questões importantes da vida do filho. O tempo de convívio deve ser equilibrado, de acordo com o interesse dele, e costuma haver uma cidade de referência para a moradia.


O que fazer quando o adolescente não quer ir à casa do pai ou da mãe?


Antes de forçar ou desistir, entenda o motivo: agenda, regras diferentes, mágoa, nova família ou algo mais grave. Incentive a convivência sem pressão e sem culpa, proponha encontros mais curtos e ouça as críticas. Se ele relatar medo ou violência, a prioridade é a proteção.


A separação dos pais afeta o desempenho escolar?


Pode afetar, principalmente nos primeiros meses. Ajuda contar à escola, manter os dois pais acompanhando os estudos, organizar a rotina de estudo nas duas casas e preservar a escola e as condições materiais. Pela lei, a escola deve informar os dois pais sobre frequência e rendimento.


Existe ajuda gratuita para pais em separação?


Sim. O CNJ oferece a Oficina de Divórcio e Parentalidade, on-line e gratuita. Os CEJUSCs fazem mediação em guarda, convivência e pensão, e a Defensoria Pública atende quem não pode pagar advogado. Clínicas-escola de psicologia, CRAS e CREAS também podem ajudar.


Quais aplicativos ajudam pais separados a se comunicar?


Há aplicativos brasileiros, como Os Nossos, Compartilhando a Guarda e Compartilar, e internacionais, em inglês, como OurFamilyWizard, TalkingParents, AppClose e 2houses. Prefira os que os dois pais aceitem usar, que guardem o histórico das mensagens e que respeitem a proteção de dados.


O que dizer quando um dos pais se afasta do filho?


Descreva os fatos sem criticar quem se afastou, não invente desculpas e deixe claro que a ausência não é culpa do adolescente. Mantenha a porta aberta, sem pressionar, e ajude-o a fortalecer vínculos com outros adultos de confiança. Se a tristeza se prolongar, procure apoio psicológico.


Quando apresentar o novo parceiro ao filho adolescente?


Quando a relação estiver estável, e não logo depois da separação. Conte ao adolescente antes, não exija afeto, mantenha momentos só com ele e deixe a disciplina, no começo, com o pai ou a mãe.


Conclusão


A separação dos pais é uma das mudanças mais marcantes da adolescência, e a maioria dos adolescentes se adapta. O que mais influencia esse caminho está ao alcance dos adultos: diminuir o conflito, deixar o filho continuar filho dos dois sem escolher lados, proteger a rotina e a escola e cuidar das emoções dele e das próprias.


Os pais vão errar em alguns momentos. Quando isso acontecer, vale reconhecer, consertar e, se a família não estiver dando conta sozinha, buscar ajuda. Em muitos dias, a frase de que o adolescente mais precisa é simples:


💬 "Nós dois continuamos sendo seus pais."


Sobre a autora


Paloma Garcia é terapeuta cognitivo-comportamental da infância e adolescência, neuropsicopedagoga e orientadora parental. É formada em Psicopedagogia (UNIFIEO), com pós-graduação em Neuropsicopedagogia Clínica e Institucional (UNIP) e em Terapia Cognitivo-Comportamental da Infância e Adolescência (CETCC), e tem registro na SBNPp (nº 9947). Atende adolescentes e famílias desde 2016, hoje em formato on-line.


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